Aproveitar a vida enquanto ela não nos recolha: cuidados e bem-estar no enfrentamento ao Alzheimer

A vida é cheia de ciclos, mudanças e, inevitavelmente, limites. Há um momento em que percebemos que não faz mais sentido tentar acelerar os passos ou insistir em ritmos que já não se encaixam. Essa percepção se torna ainda mais sensível em casos como o Alzheimer, uma condição que transforma não apenas quem vive com a doença, mas também aqueles que os cercam.

O Alzheimer nos ensina, de maneira silenciosa, que a vida não termina – ela simplesmente se recolhe. E nessa nova forma de existir, o corpo e a mente começam a pedir menos: menos estímulos, menos barulho, menos pressa e menos cobranças. A finitude não é encarada como algo definitivo, mas como um chamado para que tudo seja feito com mais lentidão e cuidado.

Nessa jornada, é importante ressignificar o tempo e as relações. Aproveitar a vida enquanto ela é plena não significa apenas experimentar momentos grandiosos ou atender a todas as expectativas que criamos. Significa viver de forma mais presente, cuidar do corpo e da mente e, sobretudo, encontrar qualidade nos dias, mesmo quando os limites começam a se impor.

Cuidar antes que seja tarde: um olhar para a prevenção

Pensando nisso, os projetos de saúde e bem-estar da DAPIBGE, surgem como aliados fundamentais para prevenir e ou amenizar os impactos das fases iniciais ou mais avançadas do Alzheimer e de outras demências. Esses projetos têm como proposta auxiliar na conscientização, ensinar como viver de forma saudável e oferecer ferramentas para enfrentar os desafios de maneira positiva.

A DAPIBGE dá ênfase a iniciativas focadas em promoção da saúde mental, práticas de atividade física, cuidado nutricional e apoio psicossocial. Estudos indicam que atitudes preventivas, como manter o cérebro ativo, praticar exercícios, controlar doenças crônicas (como hipertensão e diabetes) e cultivar relações sociais, reduzem os riscos de desenvolver demências no futuro.

Além disso, esses projetos são voltados não apenas para quem está diretamente em risco, mas também para familiares e cuidadores. Cuidar de quem cuida é parte essencial do processo. Muitas vezes, o peso emocional recai fortemente sobre os ombros daqueles que acompanham essa pessoa na fase em que a vida parece “recolhida”. Proporcionar apoio, criar redes de contato e oferecer capacitação faz toda a diferença – tanto para o cuidador quanto para a qualidade de vida do paciente.

Aceitar os limites e respeitar a vida

Quando entendemos que o fim não é um corte abrupto, mas sim uma transição para outra forma de existir, passamos a encarar o Alzheimer e seus desafios com mais serenidade. Respeitar os limites da pessoa que vive com demência é também uma forma de amor. Enxergar esses limites não como obstáculos, mas como sinais de que a vida segue, mais lenta, mas ainda cheia de significado, transforma a forma como convivemos com essa fase.

A mensagem é clara: enquanto se pode viver plenamente, é preciso fazê-lo. Valorize as práticas que ajudem sua mente e corpo a permanecerem saudáveis. Aposte em conexões emocionais verdadeiras, em cuidados simples e diários que alimentem não só o físico, mas também o espírito. E quando a vida der sinais de recolhimento, ofereça respeito, paciência e cuidado.

Porque no final, a vida, mesmo que em outro ritmo, ainda pulsa e merece ser vivida com dignidade. Os projetos da DAPIBGE estão aí para trilhar esse caminho com você, mostrando que cada etapa da existência importa. 💙

Dr. Júlio Dutra ; Advogado, Jornalista, Escritor e Psicanalista Especialista em Estimulação Cognitiva para Idosos. Rio de Janeiro, RJ – janeiro 26