por Júlio Dutra
A demência frontotemporal (DFT) é uma doença neurodegenerativa que afeta os lobos frontal e temporal do cérebro, destacando-se por alterações no comportamento e linguagem, diferente do Alzheimer. Inicialmente, observa-se alterações comportamentais, incluindo perda de inibição e empatia, apatia e comportamentos compulsivos. Dificuldades linguísticas, como problemas com gramática e vocabulário, também são comuns. Além disso, são afetadas habilidades mentais como planejamento e decisão, e, em alguns casos, surgem sintomas motores. O reconhecimento precoce dos sintomas e o acompanhamento médico são cruciais, especialmente em comunidades que prezam por envelhecimento saudável, como a DAPIBGE.
Frontotemporal dementia (FTD) is a neurodegenerative disease affecting the brain’s frontal and temporal lobes, recognized for its behavioral and language changes, distinct from Alzheimer’s. Initial symptoms include behavioral changes such as loss of inhibition and empathy, apathy, and compulsive behaviors. Linguistic difficulties, such as problems with grammar and vocabulary, are also common. In addition, mental skills like planning and decision-making are impacted, and motor symptoms may appear in some cases. Early recognition of symptoms and medical follow-up are crucial, especially in communities that value healthy aging, like DAPIBGE.
A demência frontotemporal (DFT) é uma condição neurodegenerativa que afeta principalmente os lobos frontal e temporal do cérebro. Diferente do Alzheimer, que é amplamente reconhecido por seus impactos na memória, a DFT se destaca por alterações significativas no comportamento e na linguagem. É uma doença complexa que exige atenção cuidadosa e um entendimento profundo, especialmente para comunidades como a DAPIBGE, onde o envelhecimento ativo e saudável é uma prioridade.
Alterações Comportamentais e de Personalidade
Um dos primeiros e mais evidentes sinais da DFT envolve mudanças comportamentais e de personalidade. Segundo Gregory et al. (2002), pacientes frequentemente experimentam perda de inibição e julgamentos comprometidos, resultando em comportamentos socialmente inadequados ou impulsivos. A perda de empatia é outra característica distintiva, onde os indivíduos demonstram dificuldades em compreender ou valorizar os sentimentos dos outros, como destacado por Rankin et al. (2006).
A apatia também é comum, marcada por uma diminuição do interesse em atividades e pessoas, alinhada com os achados de Snowden et al. (2001), que descrevem este fenômeno em termos de “desinteresse progressivo”. Além disso, comportamentos compulsivos podem surgir, como repetição de ações ou preferências alimentares incomuns, conforme observado por Whitwell et al. (2009).
Problemas Linguísticos
A DFT frequentemente compromete as capacidades linguísticas, variando de dificuldade em encontrar palavras até problemas de gramática e vocabulário. Grossman & Ash (2004) explicam que estes sintomas são resultado direto do impacto da doença sobre as áreas do cérebro responsáveis pela linguagem. Pacientes podem falar devagar, dividir palavras inadequadamente e apresentar um vocabulário reduzido. Esses sintomas geralmente evoluem para problemas de compreensão, dificultando a comunicação diária.
Desafios nas Habilidades Mentais
A capacidade de planejar, organizar e tomar decisões também é prejudicada pela DFT. McKhann et al. (2001) observam que esses sintomas são particularmente desafiadores para o diagnóstico, pois diferem das demências mais comuns onde os problemas de memória são mais evidentes desde o início.
Sintomas Motores
Em algumas variantes da DFT, como a demência frontotemporal com parkinsonismo, pode haver manifestações motoras como rigidez muscular e dificuldades de equilíbrio. Este aspecto motor pode ser confundido com outras doenças neurodegenerativas, tornando o diagnóstico um desafio complexo, como amplamente discutido por Josephs et al. (2006).
Reflexões Finais e Recomendações
O entendimento dos sintomas da DFT é crucial para reconhecer a doença precocemente e gerenciar seu progresso de forma eficaz. Para os associados da DAPIBGE, esse conhecimento pode promover um envelhecimento mais consciente e preparado para enfrentar desafios relacionados à saúde mental na idade avançada.
Sugestão de Acompanhamento Médico
Dada a complexidade e diversidade dos sintomas, é fortemente recomendado que ao perceber sinais de DFT, associados busquem acompanhamento médico especializado. Consultas regulares com um geriatra podem facilitar o acesso a diagnósticos precisos e tratamentos adequados, além de oferecer suporte contínuo às famílias.
Dr. Júlio Dutra, Advogado, Jornalista, Escritor, Terapeuta de Resultados – IBFT, Especialista em Estimulação Cognitiva em Idosos – Cognitiva S. Torres e Presidente da DAPIBGE, Rio de Janeiro – RJ – 15/11-25, 11:30h
Bibliografia Consultada
Gregory, C. A., et al. (2002). The miraculous case of the disappearing ooms. Behavioural Neurology.
Rankin, K. P., et al. (2006). Self awareness and personality change in dementia. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.
Snowden, J. S., et al. (2001). Dementia with personality change. Advances in Clinical Neuroscience & Rehabilitation.
Whitwell, J. L., et al. (2009). Imaging correlations of regional brain atrophy in homeostasis, behavior, and cognition. Neurobiology of Aging.
Grossman, M., & Ash, S. (2004). Primary progressive aphasia: a review. Neurocase.
McKhann, G., et al. (2001). Clinical and pathological diagnosis of frontotemporal dementia. Archives of Neurology.
Josephs, K. A., et al. (2006). A clinical and pathological study of progressive supranuclear palsy. Brain.
Este artigo visa fornecer uma visão abrangente sobre os sintomas de DFT, incentivando o diálogo e a reflexão entre associados e profissionais de saúde para melhorar a qualidade de vida.