Limites Comportamentais e Tolerância na Terceira Idade: Uma Reflexão sobre Autenticidade e Bem-Estar

A terceira idade é uma fase da vida que deve ser marcada pelo respeito mútuo e pela busca de convivências harmoniosas. Com o passar dos anos, a sabedoria adquirida nos permite compreender a importância de estabelecer limites claros, não apenas como forma de proteção pessoal, mas também como um mecanismo para promover relações mais saudáveis e equilibradas. Neste contexto, definir o que toleramos é fundamental para evitar que os outros interpretem erroneamente nossa gentileza como permissão para atitudes inadequadas.

Autores como Estevão Licks e Vânia Aguiar tratam extensivamente sobre a necessidade de estabelecer limites na convivência com os outros, destacando que dizer “não” não é uma demonstração de falta de educação, mas sim de autenticidade e proteção pessoal. Eles defendem que tudo que é seguro, é seguro por estar bem delimitado, e isso se aplica tanto às nossas relações interpessoais quanto à nossa capacidade de manter nosso próprio bem-estar.

A diferença entre intimidade e liberdade também é um ponto importante nesta discussão. Intimidade refere-se ao grau de confiança e conexão que temos com outra pessoa, enquanto liberdade refere-se à capacidade de agir sem restrições. Quando confundimos estas duas dimensões, corremos o risco de permitir um avanço excessivo de comportamento que pode ser agressivo ou desrespeitoso, afetando nossa saúde mental e emocional. A tolerância excessiva a comportamentos indesejados pode prejudicar gravemente nosso bem-estar e a qualidade de nossos relacionamentos, especialmente nesta fase da vida.

A convivência saudável dentro de associações como a DAPIBGE também depende da manutenção de relações respeitosas, onde cada indivíduo compreende seus direitos e responsabilidades. O serviço voluntário é uma expressão da excelência e dedicação dos indivíduos às suas comunidades. No entanto, é importante distinguir entre a relação voluntária e a relação de trabalho remunerado. Enquanto voluntários compartilham seus esforços livremente para o benefício de todos, trabalhadores remunerados têm obrigações específicas dentro de seus contratos.

Os sócios da DAPIBGE, por exemplo, desfrutam dos frutos desses trabalhos voluntários que o Conselho Diretor, o Conselho Fiscal e os Representantes Estaduais realizam com cuidado e dedicação. É vital reconhecer que, na associação, não se adota a postura de patrão e empregado. Todos trabalham juntos, em prol de um bem comum, onde o foco está no serviço à comunidade e na contribuição para um ambiente de apoio e colaboração.

Por fim, uma reflexão importante para todos nós, especialmente na terceira idade, é pensar cuidadosamente antes de falar e medir suas palavras, pois isso resultará em efetividade assistencial dentro de um ambiente de harmonia. A prática de estabelecer limites claros e saudáveis promete não apenas proteger os indivíduos, mas também cultivar um espaço onde o respeito e a consideração mútua são fundamentais para o convívio pacífico e frutífero.

Júlio Dutra
Presidente